sexta-feira, 18 de novembro de 2011

The Liquid Guy - Piloto

Nota: A fanfic a seguir está em construção e por isso sem imagens (quando tiver tempo posto as imagens) e melhoro a história. Foi escrita por mim, em homenagem a uma antiga série que gostava "The Secret World of Alex Mack" e misturando com outra que também já acabou "Alias". Fiz uma continuação não oficial com a irmã da Alex, como uma forma de divulgar as duas séries que tive o prazer de assistir até o final. Boa leitura!
Note: This is the UNOFFICIAL Annie Mack FANFICTION, only for entertainment of fans.

Estilo: ficção/ ação / romance
Autora: Annie Lane

~Armazém desativado – West Virginia – 04:30 am


Aquele era um típico armazém frio e de iluminação fraca, que por si próprio já causava arrepios, dando a sensação de que a qualquer momento você iria se deparar com algo sobrenatural em meio as enormes caixas de madeira empilhadas uma ao lado da outra, formando verdadeiros corredores num labirinto improvisado. Era como se a cada passo, flashs dos antigos filmes de terror que temos registrados na memória viessem à tona, um a um. E, Annie continuava procurando... Num gesto calculado, salta do alto de uma caixa a outra, disposta a cerca de um metro a sua frente, caindo de pé em total segurança, assim como os felinos, como se fizesse isso a vida toda. E pensar que há apenas um ano se tornara uma agente da CIA, talvez a mais nova e mais brilhante que seus superiores já conheceram, a qual acreditavam “jamais” ser capaz de decepcioná-los. Pelo menos, até agora...
-Acabo de vasculhar a área duas vezes, senhor. O local está limpo – afirma Annie de costas, pressionando o imperceptível aparelho de escuta que trazia no ouvido para ouvir o que seu contato ia dizer.
-”Nenhuma pista, agente Mack?” - pergunta uma voz masculina do outro lado. - “Um indício qualquer de que experiências científicas não autorizadas pelo governo vem sendo realizadas nesse armazém?”
Ainda de pé, parada no mesmo lugar sobre a caixa, Annie estava prestes a dizer “não”, quando uma interferência sonora fez com que perdesse o contato por completo.
-Ótimo! - pensa alto. - Qual será a pr&oacuute;xima surpresa?
TUM!!!
De repente, o som pesado de alguém saltando alguns metros atrás de si, sobre uma das caixas, fez com que Annie automaticamente se voltasse para o desconhecido percebendo que não estava tão sozinha quanto pensava. Ou pior: estava diante de um homem alto e bonito, com os olhos azuis mais estonteantes que já vira, usando casaco e calça preta, assim como ela. Sem dizer nada, tentou buscar nos olhos dele algo que indicasse se tratar de uma testemunha, vítima, ou inimigo, mas preferiu não arriscar, deixando que ele mesmo se pronunciasse:
-Annie Mack? É a agente Annie Mack? - pergunta ele num tom baixo e grave.
-Nos conhecemos?
Ele começa a se aproximar, enquanto vai falando:
-Não pessoalmente. Assim como você eu trabalho para o serviço secreto, mais do lado dos bandidos do que dos mocinhos.
Desconfiada, Annie desliza a mão sutilmente pela calça, até alcançar o cobre com a arma por baixo da camisa branca que aparecia sob o curto casaco preto. Mas, por mais discreta que tenha sido, ele acaba notando e, parando uns dois metros dela, avisa:
-Você não atiraria em um homem desarmado, atiraria?
Ela devolve a arma ao cobre e cruza os braços dando um crédito de confiança a ele:
-Por que está aqui? Tem alguma informação pra me dar a respeito de experiências secretas?
-Muita. Eu sou um experimento ultrasecreto do governo – pausa. - Mas, quero que me ajude a deixar de ser. Não havia outra forma de contatá-la, então, forjei esse encontro.
Annie balança a cabeça descrente por um instante. Experimento? Ele? Só podia estar brincando! Percebendo o que acontecia, ela diz:
-Em outras palavras, quer dizer que me tirou da cama atrás de uma denúncia falsa? Quer saber? Vá pro inferno!
Annie vira de costas disposta a ir embora, até ouvir um nome que a faz voltar atrás:
-PROJETO GC-165. Isso lhe diz alguma coisa?
Ela torna a virar e olhando em seus olhos, responde:
-Terei de corrigi-lo, o nome é GC-161, um composto químico altamente perigoso para humanos, pouco explorado e que... Não existe mais. Anos atrás, o laboratório que produzia tal substância explodiu, não sobrou nada.
-Hum! - ele franze a sobrancelha. - Acho que tammbém terei de corrigi-la. Antes da explosão, uma amostra do composto foi roubada e com o passar dos anos aperfeiçoada, transformando-se em 165. Depois disso, testada em humanos, como eu.
-Prove.
Ele sorri por um instante e revela:
-A interferência na escuta... Achei que fosse mais inteligente.
Annie se irrita:
-Acha que vou acreditar nisso? É o melhor que pode fazer? - pausa. - Tenho más notícias. O local está cercado, em segundos um grupo de agentes invadirá o armazém e...
-E eu vou sair do mesmo modo que entrei , como uma poça d'água. Posso me transformar numa quando quiser... -ele insiste. - Entenda. A única pessoa que criou um antídoto capaz de me ajudar não está mais viva. Falo de George Mack.
-Meu pai – ela admite.
-Sei que chegou bem perto disso, Annie Mack. Não foi fácil conseguir sua localização, muito menos pedir por socorro. Mas, estou aqui e meu tempo está esgotando.
Annie dá um passo a frente ficando sob um suave feixe de luz azulado onde era possível visualizar melhor seu rosto redondo, que combinava bem com seus olhos cor de avelã e os cabelos castanhos. Ela usava uma maquiagem leve, quase natural. Por hora, seu plano era investigá-lo, antes de tomar qualquer decisão:
-Pra quem trabalha?
Silêncio. Sem obter resposta, Annie continua:
-”Supondo” que esteja dizendo a verdade; por que eu ajudaria um completo desconhecido que pode estar me conduzindo a uma armadilha?
-É uma cientista. Não dispensaria a chance de ter uma cobaia.
Annie se aproxima mais um pouco dele.
-Como é o seu nome?
-Richard.
-Richard? A cientista sugere que procure outro cientista... Não conte comigo.
Nisso, os agentes da CIA invadem o armazém e antes que se aproximassem dos dois, o corpo de Richard começa a virar líquido, até derramar no chão transformando-se numa poça d'água diante dos olhos arregalados de Annie. Ágil, ele desliza pela caixa, indo embora sem ser notado... Voltando a forma humana do lado de fora do armazém, longe de todos...

*A história “The Puddle é baseada na série de tv “The secret world of Alex Mack”(produzida por Thomas W. Linch). Esta continuação é apenas para entretenimento dos fãs. Os direitos sobre o nome “Annie Mack” pertencem aos criadores da série.©1998ABC Kids. All rights reserved. Entretanto, A FANFIC da série foi criado por Annie Lane, incluindo o novo personagem “Richard”, garantindo os direitos de apresentação na web. DISCLAIMER: Annie Mack is a trademark of ABC Kids.©1998All rights reserved. No copyright infringement intended. This is the UNOFFICIAL Annie Mack FANFIC, only for entertainment of fans. I am only a big fan of Supernatural and Annie Mack adventures.

O acordo

~Residência da agente Mack – Los Angeles – C.A. – 08:00 am.~



O apartamento de Annie era na medida certa para alguém que mora sozinha, contava com um visual moderno e uma organização impecável. A começar pela estante da sala em madeira clara, que exibia livros científicos em ordem alfabética e ainda combinava com os móveis, realçados pelo piso de jatobá. Annie havia acabado de acordar e estava sentada num dos cantos da bancada – de lajota, mogno e metal – que abrigava o bar e uma modesta coleção de bebidas na sala. Buscava informações de Richard no laptop ao mesmo tempo em que bebia seu achocolatado. Não notou quando uma poça d'água entrou pelo vão da porta, desviou de seu sofá novo, da mesa de centro, e parou, poucos passos atrás de si, onde ergueu-se como uma fonte, adquirindo forma humana.

Annie parecia mais preocupada com o laptop que acabava de desligar sozinho antes de exibir os resultados de sua busca... É quando ouve uma voz conhecida:
-Agente Mack?
Num pulo, Annie levanta da banqueta virando-se para Richard com a expressão de quem fora pê-ga de surpresa. E, antes que pudesse dizer algo, ele se adianta:
-Desculpe por invadir seu apartamento e interromper seu café. Mas, temos uma conversa pra terminar e...
-Não – diz Annie.
Ele a olha confuso por um segundo:
-Não, o quê?
-Não desculpo por invadir meu apartamento e muito menos, por atrapalhar meu café matinal. FORA! - ela anda por trás do sofá em direção a estante para apanhar a chave da porta.
Percebendo a intenção dela, Richard age mais rápidocom o poder da mente, ele faz a chave flutuar passando por cima da cabeça de Annie e vindo em sua direção. Num pulo ele pega a chave dourada no ar. Annie enlouquece:

-O QUE ESTÁ FAZENDO???
-Tentando convencê-la a mudar de idéia. Não pense que estou feliz em revê-la, mas já disse, é a única capaz de me ajudar.
Ela se aproxima devagar, lamentando ter deixado sua arma no quarto e, num tom ríspido indaga:
-Tem alguma noção do perigo que corremos vindo aqui? Se tiver uma escuta nessa sala estamos mortos! Como pode ser tão idiota?
Richard balança a cabeça:
-Nada eletrônico funciona quando estou por perto... A não ser que EU queira – afirma.- Escute, sei que trabalhamos em lados opostos, mas ninguém precisa saber. Só o que quero é que invente um antídoto que me faça voltar ao normal. E, sou capaz de pagar por isso, quanto for.
Annie se aproxima mais um pouco sem que ele se desse conta e num gesto rápido tira a chave de sua mão, depois responde direta:
-Investigou sobre mim e de nada adiantou para me conhecer. Não é desse jeito que vai conseguir o que quer. Eu NÃO estou a venda.
Sem saber que atitude tomar, Richard se afasta, desviando os olhos para a estante. Não para o aparelho de som cor vermelho metálico, nem para a tv com home theater, ao invés disso, ele estica o braço e segura um dos vários porta-retratos da família Mack, onde apareciam pai, mãe, e irmã abraçados, cada qual com um sorriso simpático estampado no rosto.
-O que tenho de fazer?- ele pergunta, ainda de costas pra ela, com o retrato nas mãos.
-Seja gentil.
Colocando o porta-retrato no lugar, ele volta-se pra Annie e pede num tom baixo:
-Por favor?
Com a calma de quem está acostumada sempre a ganhar, Annie provoca:
-Não me pareceu espontâneo.
-Por favor – ele repete esforçando-se para manter-se calmo.
Sentando no braço do sofá, Annie avisa num tom sincero:
-Não sei se posso... Faz muito tempo que não trabalho com o 161 e, o composto químico testado em você foi o 165. Nada sei sobre ele, teria que estudá-lo e...
-Posso conseguir as informações que precisa.
Annie olha nos olhos dele por um instante. O rapaz era mesmo determinado, charmoso, e o que dissera sobre seus poderes era verdade. Além disso, ele não parecia oferecer perigo algum, ao contrário, estando em suas mãos, quem corria perigo era ele. Certa de sua decisão, Annie comunica:
-Está bem. Mas, quero algo em troca.
-Por que dificulta tanto as coisas? Sem acordos, agente da CIA! – ele retruca.
Levantando do sofá e deixando a chave sobre a estante, Annie segue em direção ao quarto, dizendo:
-Conhece a porta da rua. Adeus.
Percebendo o erro que ia cometer, Richard corre atrás dela e estende o braço na bancada, bloqueando sua passagem:
-Espera!... Está bem! Faço o que quiser! Qualquer coisa...
-Quero saber quem está por trás desse novo composto químico. Nomes, propósitos, coordenadas, t-u-d-o.
Richard consente. - Primeiro, faça a sua parte.
Com sua mania de confiar nas pessoas, a palavra dele já basta para Annie, que não demora a concordar:
-Tudo bem.Vamos pra garagem – ela se aproxima dele séria, queria passar, mas ele não tinha entendido e continuava bloqueando seu caminho. - Dá licença?
Richard a encara por um instante, em dúvida, mas acaba abrindo espaço para que ela passasse.
-Garagem??? -repete, enquanto a seguia até o finnal do longo corredor do apartamento.
Preso na parede do fundo, havia uma réplica de um dos quadros de Vincent Van Gogh. Annie toca em uma parte da pintura, enquanto revela:

-Garagem é como costumo chamar meu laboratório secreto”.
Então, eles ouvem o som de uma parede se movendo...

PS: A imagem acima é uma reprodução do “Van Gogh's Cafe Terrace on the place du Forum”.

Laboratório Secreto

Annie atravessa a passagem secreta indo parar em uma sala escura. Familiarizada ao ambiente, ela dirige-se até o interruptor e o acionapequenas lâmpadas de alta potência, embutidas nos quatro cantos do teto se acendem. Richard entra logo em seguida e, por uma fração de segundos, fica perplexo com o que vê: dividindo a sala em dois, havia uma comprida mesa de laboratório, cheia de frascos de vidro, tubos de ensaio, medidores, microscópios, tudo muito bem arrumado e contendo um aroma típico de substância química no ar, talvez formol... Aquele era o menor e mais completo laboratório científico que já botara os pés em sua vida...



RHHH!!!
Ao ouvir o som da parede se movendo outra vez, Richard volta a atenção para Annie... Ela estava de costas, ao lado da passagem e tinha acabado de acionar um botão vermelho na parede.

A entrada se fecha automaticamente. Então, Annie vira pra trás e seus olhos batem em Richard. Ele estava de pé, próximo a ela, observando cada um dos seus movimentos. Nessa hora, Annie desejou não ter cometido um erro trazendo-o ao seu “esconderijo particular”, o único lugar seguro da casa onde podia ficar sozinha e realizar experiências. E agora, o local onde faria novos testes... com Richard. Séria, Annie empurra uma cadeira cinza de rodinhas na direção dele para que sentasse, enquanto ela se limita a encostar no balcão e cruzar os braços, dizendo:
-Preciso saber do início... Como aconteceu?
Richard senta na cadeira e vai direto ao ponto:
-A organização onde trabalho recrutou seis agentes para participarem de um experimento. Algo ultrasecreto. Disseram que seria temporário, que havia um antídoto e... Bom, eu fui um desses caras, numa sala especial despejaram sobre mim um líquido dourado.
-Puro? Ou, diluído em água?- interrompe Annie superinteressada.
-Não, misturado com perfume francês – ele abre um sorriso sarcástico por um momento, mas Annie lhe lança um olhar de censura e Richard volta a ficar sério. - Tá, era com água. Depois disso, adquiri poderes inimagináveis: podia mover objetos com a mente, controlar coisas elétricas e até, me transformar numa poça d'água... Mas, o antídoto aplicado não deu resultado... Foi sem efeito, zero. Só o que posso dizer é que há um propósito para tudo isso e que, nos mandaram esperar.
Como demonstração, Richard olha fixo para um dos tubos de ensaio do fundo da sala e faz com que flutue no ar. Arregalando os olhos com a cena, Annie corre até o tubo e o segura, antes que caisse no chão. Com uma expressão de alívio no rosto, ela o recoloca no lugar.

-NÃO BRINQUE COM O MEU MATERIAL! - exige em tom de alerta.
Richard consente, pensando: “O que eu fiz demais??Que mulher estourada!”... Por sua vez, esquecendo por um instante dos tubos de ensaio, Annie pensa no que ele havia lhe contado até agora e pergunta:
-Você teve efeitos colaterais nessa sua “aventura”?
-Por que acha que estou aqui? - rebate Richard.
Voltando pelo mesmo caminho que foi, Annie lança uma nova pergunta, embora já desconfiasse qual seria a resposta:
-Está sendo supervisionado por um especialista?
Richard levanta da cadeira de repente. Ficam frente a frente.
-Não o melhor. Você é.
Lisonjeada com o comentário, Annie abre um sorriso breve, mas se mantém firme:
-Pela primeira vez, vou ter que concordar com você – ela se aproxima dele e o empurra, fazendo com que caisse sentado na cadeira.- Mas, no momento, só o que posso fazer é examiná-lo e tentar descobrir mais sobre o 165.

Annie desvia os olhos para a mesa, procurando seu aparelho de medir pressão e não percebe quando Richard leva a mão direita até o bolso da camisa, tirando de dentro um fino objeto laminado...

Primeira Briga

Por coincidência, Annie vira pra trás ao mesmo tempo em que Richard lhe estende um pen drive de computador, que acabava de tirar do bolso da camisa.
-São as informações sobre o composto...- diz ele. - Isso é altamente confidencial! Tem que me prometer que ninguém além de você terá acesso a essas informações.

Olhando intrigada para o pen drive e depois para Richard, Annie consente. Então, tira logo da mão dele, questionando:
-Pra quem trabalha?
Silêncio.
Claro que ele não ia dizer o que ela queria ouvir. Annie sabia que algumas vezes era difícil arrancar a verdade de um suspeito e no caso de Richard, deduziu que ele só falaria sob tortura de morte ou choque. Guardando o pen drive no bolso de trás da calça, Annie aproxima-se de Richard, coloca o aparelho de medir pressão em seu braço, indagando:
-Por que veio até mim?
Sentindo o aparelho apertar cada vez mais seu braço, como se fosse esmagá-lo – o que não parecia ser nada normal - Richard revela num tom ressabiado:
-Conheço sua história. Sei que sua irmã foi exposta ao GC-161 e que você cuidou dela escondido... Até que seu pai descobriu e, como cientista, ele criou um antídoto.
Annie aperta mais um pouco e depois pára, começando a afrouxar a pressão, olhando nos olhos dele. Não pretendia torturá-lo ainda, apenas dar um recado.
-Tenho meios de descobrir quem você é e para quem trabalha - garante. - Preferia que me contasse.
Levantando da cadeira e encarando Annie, Richard explode:
-SE FIZER ISSO, VAI PÔR MINHA VIDA EM RISCO!!!
-E SE NÃO O FIZER, A MINHA QUE ESTARÁ EM RISCO!!! – ela responde no mesmo tom.
O clima fica tenso entre os dois de uma hora pra outra. E em meio as faíscas que trocavam com o olhar, ambos sentem seus corações baterem descompassados... Estavam tão irritados que sequer notaram o quanto haviam chegado perto um do outro, seus lábios quase que se tocavam...

Percebendo a tempo, Annie dá um passo atrás. Richard respira fundo, desliza uma mão pelo cabelo recobrando a calma, e depois propõe num tom baixo:
-Não corremos perigo se... guardarmos segredo.
Voltando a se aproximar dele por um segundo, só pra remover o aparelho de seu braço, Annie concorda:

- CERTO. Temos um acordo, não é? Cada um cumpre a sua parte e ninguém precisa ficar sabendo – lembra Annie e ele consente. - A sua pressão sanguínea está normal. Isso quer dizer que pode ir embora. Tenho que estudar o composto antes de qualquer coisa... Dê-me 24 horas.
Sem esperar por resposta, Annie dirige-se até a saída da “garagem” e aciona o botão vermelho. A parede se move, abrindo a passagem secreta. Richard olha pra Annie mais uma vez antes de partir:
- Até mais.
Annie nada diz. Então, Richard transforma-se numa poça d' água e desliza do corredor à sala, indo embora por debaixo da porta. Ela o acompanha do laboratório com o olhar. Assim que ele sai, fecha a passagem secreta, veste seu casaco preto aveludado e também sai de casa...

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Vaughn

~Agência Clandestina da CIA – Subsolo de Los Angeles – CA~


Annie Mack anda em passos rápidos por um dos mais secretos escritórios da CIA, conhecido como APO. Estava ansiosa para encontrar uma pessoa, um amigo em quem confiava. Ao alcançar a porta da sala dele, joga o cabelo para trás, ajeita a insígnia na blusa e bate de leve na porta.
TOC! TOC!
Sem esperar por resposta, Annie abre a porta e se depara com Marshall, poucos passos a sua frente, de pé no centro da sala, manuseando nas mãos algo que parecia ser uma “aranha-robô”. Ele deixa a concentração no trabalho de lado para abrir um sorriso simpático ao vê-la. Annie retribui, fechando a porta e se aproximando de Marshall.

-Agente Mack! Como está? Faz tempo que não aparece na APO... - observa ele. - Deve ser algo urgente pelo modo como entrou aqui, algo mesmo urgente...
-Sim, Marshall – confirma Annie tirando um pen drive do bolso e estendendo a ele. - Preciso que examine isso pra mim.
Marshall coloca a aranha-robô sobre a mesa, veste seu óculos de lentes de aumento especiais e segura o pen drive com cuidado, analisando-o por fora. Annie se contém para não roer as unhas... Eles eram o oposto um do outro, enquanto Marshal era tranquilo e bem humorado, Annie era a pressa em pessoa. Num tom baixo, ela continua:
-Procure por uma escuta, ou algum tipo de mecanismo que...
-Não há nada aqui - interrompe Marshall retirando as lentes. - É apenas um pen drive comum de 2GB. Quer que eu abra ou vasculhe no computador?
-NÃO! - diz Annie num sobressalto, estendendo aa mão para pegar o pen drive de volta. - Pode deixar que eu mesma faço isso.
Ele consente, vendo Annie guardar no bolso. Então, com seu jeito calmo e pausado de falar, Marshall pergunta:
- Posso estar errado, mas aposto que esse pen drive não é de música, é? - ele olha pra Annie, que fica em silêncio. - Quem sabe podíamos almoçar um dia desses... Só por amizade, sabe que sou casado e tenho um filhinho... Não quero dizer que você seja feia, gorda, ou algo assim, acho até que é... é...
Enquanto Marshall se enrolava todo na conversa, a porta da sala se abre de repente... Os dois viram pra ver quem é e se alegram ao avistar Michael Vaughn.

-Desculpe entrar assim – diz o agente num tom neutro. - Marshall, Jack Bristow o espera na sala dele.
Concluindo que estava atrapalhando o serviço dos rapazes, Annie dirige-se até a porta dizendo:
-É hora de voltar pro escritório central. Obrigada pelo “conselho”, Marshall, qualquer hora dessas almoçamos.
Gentil como sempre, Michael abre mais a porta e faz um gesto para Annie passar. Ela pára diante dele por um instante e sem esconder a admiração que sentia por seu colega de trabalho, comenta num tom sincero:
-É bom tê-lo de volta. Eu soube o que aconteceu: todos pensaram que estivesse morto, e no entanto... Foi esperto o modo como escondeu a verdade pra viver – ela sai da sala. - Mande lembranças minhas a Sydney!
Michael abre um sorriso largo lembrando da esposa Sydney Bristow e da filha de seis meses Isabelle. A vida não poderia estar mais perfeita...

Então, vendo Annie se afastando, Michael chama:
-Ei! Annie Mack! Apareça em casa pra conhecer Isabelle... Syd vai adorar.
Annie consente com um sorriso e deixa a APO.

Cappuccino

~Los Angeles – CA. -Residência da agente Annie Mack – 11: 55 pm.


Depois de um dia tenso de trabalho, no serviço secreto e fora dele, seguindo pistas de um perigoso bioterrorista: em uma operação sem sucesso, Annie chega em casa e se fecha em seu laboratório para estudar as propriedades do GC. Ela coloca o pen drive que ganhara de Richard no computador e, na mesma hora uma fonte de dados surge na tela de fundo esverdeado. Annie arregala os olhos ao ver que estava intitulado de “NEW GC PROJECT” e que a coisa era muito maior do que imaginava... Alguns trechos apareciam em código.




A noite passa voando, a jovem cientista estuda os dados contidos no pen drive, e analisa uma antiga amostra da substância no microscópio, comparando com as informações que tinha do novo composto. Afinal, o que é a ciência senão uma investigação constante e racional, direcionada a descoberta da verdade? Uma verdade que nem sempre é imutável.
*
Eram 7 horas da manhã quando Annie saiu do laboratório, tomou um banho frio para despertar e se jogou no espaçoso sofá da sala, ao som de Frederic Chopin. Sentia-se exausta e caindo de sono, apesar do banho frio. Ainda restava um tempo livre antes de ir para a CIA e desejou que seu chefe não ligasse pro seu celular a convocando antes da hora. Relutava em fechar os olhos, queria “curtir” o dia de alguma forma, mas ainda não sabia como... Quando de repente, o som pára!... Ela vê uma poça vinda debaixo da porta passar a sua frente e erguer do chão de uma forma es-pe-ta-cu-lar.

A rapidez do poder de transformação de Richard deixava Annie impressionada. Em segundos, ele estava ali, de pé a sua frente lhe fazendo uma pergunta em alemão, com seu jeito sarcástico:
-Schnsucht?
Como agente, Annie aprendera uma dúzia de idiomas, entre eles o alemão. Ela logo entende a pergunta dele: “Saudade?”. E em resposta, senta no sofá, lhe lançando um olhar repulsivo como quem diz “é claro que não”! O fato é que como cientista, sentia-se desperta agora, o sono havia evaporado e sua mente fervilhava de idéias sobre o que fazer com Richard. Era como uma criança diante de seu melhor projeto de ciências. Pelo menos, naquele momento era assim que ela o via, como um mero “experimento”. Sentindo-se empolgada, ela levantando do sofá e admite:
-NOSSA! Essa nova sequência de bases nitrogenadas do GC é amplificativa, o que influi significantemente nas mudanças do seu metabolismo celular!!!
Sem entender NADA que Annie acabava de falar, Richard solta um assobio suave e provoca:
-Ia perguntar como foi a sua noite, mas... Annie, você tá péssima!
Encarando-o, Annie aproxima-se, mas não demais porque havia uma mesinha de centro entre os dois, e rebate irônica:
-Já tinha esquecido o quanto você é “gentil”.
Richard abre um sorriso torto, não tinha a intenção de ofendê-la. Será possível que sempre que se encontravam acabavam discutindo? Ainda encarando-a, com seus lindos olhos, ele muda de assunto:
-Podíamos continuar trocando elogios, cientista, só que estou aqui a negócios e tenho muito... muito... Oláá??? Terra chamando Annie !
Não, ela não estava ouvindo. Sentindo um aroma delicioso de café fresco, Annie desviou os olhos pra baixo e notou que Richard segurava um copo na mão direita. Só então, lembrou que não havia se alimentado essa manhã e o interrompeu curiosa:
-O que é aquilo?
Com tranquilidade, Richard ergue o copo mostrando a ela:
-É meu cappuccino. Se quiser...
-Obrigada! - ela interrompe de novo, tomando o copo da mão dele e voltando a sentar no sofá. Estava faminta demais para ser educada.

Richard a observa surpreso, enquanto Annie removia a tampa de proteção e bebia uns goles do cappuccino com vontade. Ele tinha de reconhecer que aquela garota possuia iniciativa até demais, sabia muito bem o que queria, e na certa, não devia ter ouvido uma só palavra do que dissera a pouco. Dando uma pausa para respirar, Annie se inclina pondo a tampa virada sobre a mesa e, observando a fumacinha que saia do copo, só então confessa:
-Virei a noite entre livros de biologia e computador, pesquisando sobre o “Novo GC”. Acho que esqueci de comer desde ontem... - volta a olhar nos olhos dele. - Ainda estava nesse ritmo quando você “invadiu” minha sala. Meu humor não está dos melhores, Richard... nem tente me provocar.
Ele concorda:
-Pode traduzir o que disse quando cheguei? De modo que eu entenda? – Richard dá a volta e senta na mesa diante dela. - Resuma numa palavra.
Provando mais um gole do sabor forte e quente do cappuccino, Annie pensa se devia fazer o que ele pedia, já que nem ligou da última vez. Mas, Richard revirou os olhos contrariado e pede:
-Por favor.
Eram as palavras mágicas que Annie adorava ouvir. Deslizando o polegar sobre o lábio superior para tirar um bigodinho de creme que se formara, Annie responde:
-INCRÍVEL.
-Incrível? Como assim? - perguntou, sentindo-se perdido.
-Disse pra resumir em uma palavra, foi o que fiz.
Ele sorri. - Em uma frase seria melhor...
Annie coresponde o sorriso e esclarece:
-A maneira como se transforma. Minha irmã levava cinco minutos pra se transformar de líquido em gente e, você faz isso em segundos -pausa.- Seus poderes são no mínimo três vezes mais fortes. E a tendência é aumentar mais.
-Pena que esteja louco pra me desfazer deles... Já criou o antídoto?
Annie põe o copo vazio sobre a mesa e virando o pescoço para o corredor, declara:
-Não quero falar sobre isso aqui, vizinhos novos... Vamos pra “garagem”?


Fazendo testes...

Annie e Richard entram no lab. secreto. A porta se fecha atrás deles. Não aguentando mais o silêncio dela, Richard cobra:
-Preparou o antídoto?
Apenas alguns passos a frente dele, Annie vira pra trás apoiando uma das mãos sobre na mesa e avisa:
-Isso é algo a longo prazo, Richard. Preciso de tempo. Há trechos codificados no cd, sabia disso?
-Se a coisa fosse fácil, agente Mack, eu jamais a teria procurado. Pode decodificar?
Sentando em uma cadeira, Annie consente:
-Vai levar alguns dias, mas sim, com certeza – pausa. - Sobre aquele nosso acordo... Quero fazer uma contraproposta.
Tentando imaginar o que ela estaria tramando, e concluindo que seria uma fria, Richard lhe lança um olhar desconfiado:
-Seja o que for, a resposta é NÃO.
A verdade, é que não confiava nela. E, podia sentir que era recíproco. Richard fora treinado para viver em estado de alerta, suspeitando até mesmo de sua própria sombra. Por isso, com pose de espião, passa a andar pelo laboratório xeretando os vidros com fórmulas químicas secretas. Por sua vez, Annie pretendia ganhar tempo pra descobrir tudo o que envolvia aquele misterioso composto testado em Richard, ela sabia o quanto esse produto seria uma ameaça se usado para o mal. Precisava conquistar a confiança de Richard, fazê-lo se abrir, e para tanto, era hora de pôr seu plano de ação em prática. Em tom de desafio, faz a contraproposta:

-Enquanto espera pelo antídoto, posso ensiná-lo a lidar melhor com seus poderes. Conheço esse composto como ninguém, aposto que nem faz idéia das coisas que é capaz de fazer. E, sou a cientista mais indicada para essa tarefa.
-Por que me ajudaria?
-Para descobrir mais sobre os efeitos do GC na sua corrente sanguínea... Por seus lindos olhos azuis é que não seria! – debocha Annie rindo. - Vamos! Será vantagem para ambos os lados!... Claro, a menos que tenha “medo” de uns simples testes.
Por mais que temesse algo, Richard era machista, jamais admitiria o contrário:
-Tá brincando? O que tenho que fazer?
Annie caminha até a ponta da comprida mesa do laboratório e lhe mostra uma bolinha vermelha de borracha.
-Deve girá-la o mais alto que puder – ela aponta para o teto. - Acha que consegue?<
Richard abre um sorriso convencido. - Só isso?
É obvio que Annie tinha outro desafio pra ele. Tirando um lenço preto do bolso detrás da calça, ela parte em sua direção e chegando bem perto, avisa:
-De olhos vendados.
Ele balança a cabeça ressabiado:
-Não está falando sério, eu...
Antes que ele terminasse a frase, Annie já havia se aproximado mais e agora amarrava o lenço diante de seus olhos. Richard sente um agradável perfume de sândalo no ar e, por um momento, o cheiro de química do laboratório desaparece por completo. Ele se vê envolvido por aquele perfume feminino e só volta a dizer algo, quando Annie se afasta, perguntando:
-Está pronto?
Richard demora um tempo até responder:
-Como vou mover o que não vejo? É impossível!
Posicionando-se ao lado da bolinha vermelha, Annie afirma:
-Eu garanto que o impossível é possível. Concentre-se!
Richard franze o cenho numa primeira tentativa. Mas, o perfume dela ainda estava gravado em sua mente... O que havia de errado com ele? Era só um perfume de mulher!... A bolinha apenas balança de leve sobre a mesa para decepção de Annie. Richard respira fundo.
-E aí? Funcionou? - ele pergunta sem tirar a venda.
-SEQUER SE MEXEU! – mente Annie o repreendendo. - Não está se concentrando, Richard! Precisa “vê-la” girar, mesmo de olhos vendados! Até uma criança faria melhor do que você!
Irritado com o comentário, Richard esquece de vez o perfume. Ele franze o cenho numa segunda tentativa. A bolinha começa a levitar bem devagar... Annie acompanha o fenômeno de perto. Como magia, começa a girar e subir até alcançar o teto, cada vez mais veloz. A cientista sorri encantada, era inacreditável!... Será que ele tinha noção do auto-grau de seu poder? E do perigo real que representava a humanidade?

De repente, ele arranca a venda dos olhos e a bolinha cai sobre Annie, que usa os braços para se proteger. Richard a observa e sorri, é quando seus olhares se cruzam e ele diz satisfeito:
-Consegui, sou o melhor.
Contente com o resultado da experiência, Annie se abaixa para procurar a bolinha no chão, e olhando pra ele, provoca:
-É, conseguiu... Um pouco “fraquinho”.
Richard vai até ela e se abaixa para ajudá-la a procurar. Eles se entreolham:
-Fraquinho?? - ele repete sem acreditar no que ouviu. -- Só pode estar brincando!
Annie balança a cabeça negando, mas logo se entrega num sorriso. A verdade é que ele havia ido melhor do que suas expectativas. Richard abre um lindo sorriso correspondendo ao dela... Mas, logo volta a ficar sério...

Agora que estavam tão perto um do outro, Annie repara o quanto aquele homem podia ser atraente. Ela desvia os olhos e encontra a bolinha no chão, no canto detrás da perna da mesa. Estica o braço, sem perceber que Richard havia encontrado ao mesmo tempo que ela. Então, suas mãos se tocam por um segundo e eles voltam a olhar um para o outro. O que acontecia com os dois? Eram inimigos! Trabalhavam para agências opostas! Deviam se odiar!... Nisso, um forte estrondo faz com que levantem juntos, soltando as mãos depressa. Richard indaga:
-O QUE FOI ISSO? UM TIRO?
-Veio da sala.
Num gesto automático, Annie leva a mão direita atrás da cintura e saca sua pistola dourada (golden gun), indo em direção a saída da garagem. O que quer que tenha sido, estava prestes a desvendar...