sábado, 8 de outubro de 2011

Segredos e Mentiras

~Los Angeles – CA. -Residência da agente Annie Mack – 01: 54 am.

Noite alta, Annie está em casa assistindo “Titanic” na tv de plasma da sala e comendo pipoca temperada, na maior calma e aconchego do lar. Abre um sorriso bobo no rosto ao ver a cena de beijo de Leonardo DiCaprio... O que não daria para estar no lugar daquela atriz, naquele navio... Nisso, a tv desliga de repente(na melhor parte do filme). Annie estranha. As luzes da sala piscam e apagam... Dano elétrico? Blackout? Não; longe disso, apenas Richard que acabava de entrar por debaixo da porta “furioso”:
-ERA SÓ O QUE EU PODIA ESPERAR DE VOCÊ, AGENTE DA CIA!
-Jesus! Que susto, Richard!-ela leva a mão ao coração.- Há um botão ao lado da porta, chama-se “cam-pa-i-nha” e foi feito pra ser usado, sabia?
-COLOCOU UM RASTREADOR EM MIM!!!!!!
-Não sei do que está falando... Aliás, sabe que horas são?- se faz de desentendida comendo mais uma pipoca. - É madrugada, vá pra casa.
-Quer fuçar aonde moro, não é? Descobrir com quem falo quando saio daqui!?
Annie levanta do sofá e o confronta:
-POR QUE ACHA QUE FUI EU? DEVE TER TANTOS INIMIGOS QUE QUALQUER UM PODERIA...
-VOCÊ TOCOU NO MEU BRAÇO! PLANTOU O RASTREADOR ESSA MANHÃ! SUA DIGITAL ESTÁ NELE!
-Minha digital? Hahaha -ela ri como se ele tivesse contado uma piada.
O fato de Annie negar tudo com a maior cara-de-pau o deixava ainda mais nervoso e lindo. Annie imaginou que ele devia estar se segurando pra não usar seus poderes contra ela...
-ADMITA, CIENTISTA!
Annie tinha absoluta certeza de que sua digital não estava na escuta, mas talvez dizer a verdade fosse uma boa tática para fazê-lo se abrir:
-Por que não abre o jogo comigo? Assim desisto de espioná-lo.
Ele caminha pela sala com os dois punhos fechados, estava a ponto de explodir, ou talvez, preparando-se para bater em “alguém”:
-EU SABIA! EU SABIA! SABIA!
Segura de si, Annie anda em sua direção, um passo de cada vez e insiste:
-Pra quem trabalha, Richard?
-Não posso dizer.
-Está bem... Qual é o seu nome completo?- ela dá mais um passo, pressionando-o.
-SE EU ABRIR A BOCA, SUA VIDA CORRE RISCO ! - ele alerta num tom alto e firme.
Annie pára e pensa por um segundo, estavam próximos agora, olhos fixos um no outro, mergulhados num silêncio desafiador. Cortando o clima de suspense, ela pergunta:
-E como faço se precisar contatá-lo?
-EU venho até você. Jamais me procure ou tente me contatar.
-Esse é o problema. Sabe tudo sobre mim, e o que sei sobre você? NADA!
-Acredite, só chequei o suficiente pra que pudesse me aproximar.
Annie sorri duvidando dele:
-Diga algo que ainda não sabe sobre mim.
Então, Richard aponta para os porta-retratos com a cabeça:
-Não sei sobre sua família. Por que sua mãe e sua irmã nunca vem lhe visitar? Diga. Transformou as coitadas em sapo?
A cientista desvia os olhos para um dos porta-retratos(dela abraçada com a irmã) enquanto responde num tom baixo:
-São... ocupadas.
-Falo da minha família se falar da sua primeiro – ele propõe.
Cansada das imposições dele, Annie vira o pescoço, jogando os cabelos castanhos pra trás de modo atraente e o encara irada:
-A SUA VIDA PESSOAL NÃO ME INTERESSA NEM UM POUCO! EU QUERO QUE SE DANE, RICHARD!- grita.- NÃO IMPORTAM OS RISCOS! ABRA DE UMA VEZ! VOCÊ É KGB? OU K-Directory?
A tensão aumenta. O rosto de Richard começa a brilhar de nervoso (um dos efeitos do composto: ao invés de “corar” de raiva, ele fica “dourado de raiva”, acendendo e apagando igual a uma lâmpada prestes a queimar):
-Sua diversão é pressionar os outros, não é?
-Você!
-EU, O QUÊ?-pergunta Richard irritado.
-É um prazer pressioná-lo em especial.
-Que coincidência. As vezes também sinto vontade de enforcar você em especial. Por que será?
-Acho que somos como dois pólos iguais que se repelem.
-TÁ EXPLICADO!
-Richard, controle seus poderes, seu rosto está... - ela começa a falar e aponta pra ele.
-Brilhando? - ele pergunta e Annie consente.
Ambos silenciam mais uma vez, sem tirar os olhos um do outro, como imãs ligados por uma energia invisível e poderosa. Estavam tão perto, que Annie podia ouvir a respiração de Richard, sabia que seus batimentos cardíacos estavam acima do normal; ele também podia ouvir a respiração dela, enquanto encarava aqueles lindos e agrecivos olhos castanhos. Frente a frente era difícil controlar o que sentiam, era se como a raiva os ligasse cada vez mais ao invés de distanciá-los. O rosto de Richard pára de brilhar de repente... Nossa, como estavam perto! Sozinhos naquela sala escura, a atmosfera era um convite ao romance.
Mas... Annie precisava evitar esse tipo de aproximação. Por isso, ela baixa a cabeça por um segundo, e Richard dá um passo pra trás. Ambos sabiam que deviam manter uma relação profissional e que seus desejos só poderiam colocar tudo a perder. Quando Annie levanta a cabeça, voltando a olhar Richard, ele está com o semblante normal, a tensão se dissipava aos poucos. Num tom baixo e franco, ele afirma:
-Ouça, não a procurei para matá-la. Só o que me interessa é o antídoto.
A agente volta a sentar no sofá com o pensamento vagando longe, e conta:
-Minha irmã era apenas uma criança quando foi contaminada pelo GC, eu fiquei ao lado dela, guardamos segredo de todos por três anos, mas tinha certeza de que ela nunca usaria seus poderes para o mal. Já você...
-Se quisesse usar meus poderes pro mal, pra que ia querer desistir deles?
-É o que me pergunto e não entendo.
Richard senta no sofá próximo a ela, exceto pela bacia de pipocas, e revela:
-Há pessoas no governo que se soubessem o que posso fazer, me isolariam em uma sala e espetariam agulhas em mim, eu seria alvo de experiências, uma cobaia humana pro resto da vida. É disso que estou fugindo.
Annie olhava em seus olhos, ele não parecia estar mentindo. Só custava a entender uma coisa:
-Mas, por que eu? Você podia ter procurado outro cientista envolvido no projeto, um ex funcionário da usina, não sei... Ainda pode fazer isso, basta desfazermos o acordo.
-Nunca. Quando entrei naquele armazém abandonado e a vi, tive certeza que seria a escolha certa. Confio no seu conhecimento de cientista, sei que é a melhor da CIA. Annie, a minha vida está em suas mãos.
-Ah! Então, faz idéia do perigo que corre– diz ela exibindo um sorriso de superioridade. - Posso fazer o que quiser com você? Quais são suas últimas palavras?
-Confie em mim.
Após uma breve pausa, ela resolve lhe dar uma chance, mas no fundo o que queria mesmo era testá-lo:
-Fale da sua familia.
-Não tenho uma.
-Viu? - Annie reclama. - Disse que se eu falassee dos meus pais...
-Annie!-ele a corta no meio da frase, parecia disposto a revelar algo profundo, algo de seu passado sombrio.-Eu... Perdi meus pais cedo, me virei como pude, não é todo mundo que tem a sorte de ser chamado pra trabalhar na CIA, ou que possui uma familia unida como a sua... Sua irma Alex deve ter um imenso orgulho de você.
Annie consente, desviando os olhos para aquele porta-retrato da estante onde ela e a irmã apareciam abraçadas. Richard checa o relógio de pulso:
-Preciso ir, em algumas horas irá amanhecer.
Ele levanta do sofá transformando-se em poça d'água. Mesmo sem luz, desvia da mesa de centro com velocidade e atravessa a porta da rua. Sozinha, Annie não se contém e chora sentida:
-Oh, Alex !... Foi minha culpa...

A viagem

~Usina Nuclear de Angra – Angra dos Reis-Brasil – 6:31 am.

Os raios de sol pareciam fracos nas primeiras horas da manhã. Annie está no telhado da usina, andando sorrateira com sua “golden gun” nas mãos. A respiração e os passos calculados, podendo-se passar quase “invisível” aos olhos dos inimigos. Em seu ângulo de cobertura, tinha uma visão panorâmica da cidade de Angra dos Reis e sentia-se pertinho do céu, azul “clean” como uma piscina recém inalgurada. Um privilégio de contemplação para poucos. Mas, a agente da CIA não preocupava-se com a paisagem local nem com o clima, e sim, com a missão a ser executada. Annie ouve um chiado na escuta em seu ouvido, logo vem a voz suave de Sydney chamando seu “codinome”:
-Black Falcon? Qual é sua posição?
-Área limpa, Mountaineer. Aguardo instruções – responde Annie.
No entanto, quando os agente estão comunicando-se entre si, o inevitável acontece...
Weiss que ia negociar a maleta com um espião russo, é atingido por um dardo tranquilizante e cai desacordado no chão. Algo havia saido errado! E agora, para piorar a situação, o espião fugia com a maleta bomba...
-AGENTE FERIDO! AGENTE FERIDO! Estou perto, vou socorrê-lo! - alerta Sydney.- O alvo foge sentido oestee! Shotgun, qual é sua posição?
-AI! Fui atingido, mas estou bem – responde Vaughn com a respiração oscilando. - Nosso alvo alcançou as escadas! Quem cobre o telhado?
Annie pula de alegria: finalmente uma pitada de ação em sua vida! Ela cola na parede ao lado da escada e declara:
-Estou pronta para interceptar o alvo!
Correndo desenfreado, com o suor escorrendo por suas têmporas e a respiração falha, o espião(que usava luvas brancas) abre a porta de acesso ao telhado. Num gesto rápido, Annie o golpeia no queixo e arranca a maleta de sua mão, depositando-a no chão com cuidado. Acuado, ele saca uma pistola semi-automática e aponta para Annie, mas ela é ágil e o atinge de novo (dessa vez com o pé na mão); a pistola voa, caindo a milhas de distância. Sentindo-se vitoriosa, a agente aponta sua golden gun para a testa dele... Seu único erro foi chegar perto demais... Num salto de felino, ele se joga contra Annie e os dois caem no chão de cimento frio. POFT! Com o impacto da queda, a arma solta da mão dela deslizando para longe. Ambos levantam com rapidez em pose de luta. Annie olha pra arma por um segundo, era impossível alcançá-la. E agora?... Aproveitando a distração dela, o sujeito a empurra, fazendo-a parar na beira do telhado.... Annie olha pra baixo, onde estavam era super alto, se caísse do telhado daquela usina seria fatal... Seu coração batia em estado de adrenalina pura... Então, volta a olhar para o espião, que vinha em sua direção em câmera lenta, igual nos filmes de terror, quando a vítima sente que não tem escapatória... Desarmada e equilibrando-se na pontinha do telhado, Annie pede reforços:
MOUNTAINEER! PRECISO DE AJUDA! ALGUÉM ESTÁ NA ESCUTA???
Que estranho! De repente, a escuta havia parado de funcionar!... Ela percorre toda a área com os olhos, não tinha “ninguém” ali, exceto os dois. Teria que enfrentá-lo por conta própria... Uma pedrinha solta despenca telhado abaixo, Annie a acompanha com o canto do olho direito até perdê-la de vista, esforçando-se para vencer o medo... Por sorte, avista do seu lado um velho cano de metal solto envolto por ferrugem e cocô de pombos, e quando “ele” se aproxima, Annie pisa na ponta do cano, fazendo com que voasse até a palma da sua mão direita. Antes que o espião pudesse “pensar” em reagir, a agente o atinge com o cano na cabeça. TÓIM! O homem cai no chão desacordado, porém ainda vivo... Livrando-se do cano, ela bate uma mão na outra numa tentativa de limpar a sujeira da ferrugem, e corre até o local onde havia deixado a maleta... Surpresa!!! A maleta havia desaparecido!!! Mas, COMO??? Só estavam os dois ali! De novo, ela percorre o telhado com o olhar, agora com atenção redobrada... E, dessa vez, vê ao longe uma linda poça d'água, azul brilhante, movendo-se pelo chão em direção a porta de saída número dois (essa trancada a cadeado). Com habilidade, a poça desliza sutil por debaixo da porta, fugindo no instante exato em que Syd e Vaughn surgiam no telhado, vindo da porta número um...

*Nota: Na verdade, a usina acima é da província de Fukui-Japão e não do Brasil... Mero detalhe.

Sem Palavras



Os agentes correm na direção de Annie Mack... Vaughn apresentava um visível filete de sangue que escorria por sua perna esquerda, na altura da coxa, marca de um tiro de raspão, que o forçava a mancar conforme andava. Enquanto Sdy, em meio aos cabelos esvoaçantes que por vezes cobriam-lhe a face, apresentava um olhar atento no inimigo estendido no chão, desviando os olhos para Annie por um milésimo de segundo quando a alcançam.
-Está bem, Black Falcon? - pergunta Syd apenas para checar.
Assim que Annie consente, Sdy corre até o espião e o algema com prazer. Tinha vontade de lhe dar um soco no nariz, por ter atirado em seu adorável marido Michael Vaughn, mas conteve seu ímpeto “vingativo”, afinal, violência não leva a lugar algum. A CIA se encarregaria de prendê-lo e julgá-lo. Syd suspira de leve enquanto desvia os olhos para a bela paisagem de Angra vista do topo da usina.
-E a maleta? - pergunta Vaughn de pé ao lado de Annie, ainda tentando recuperar o fôlego. - Onde está a maleta??
Annie fecha os olhos, pensando: “Richard! Você me paga por isso!” Ao abri-los de volta, responde sem graça:
-Ela sumiu...
-Maletas não somem sozinhas.
Claro, Vaughn tinha razão. Mas, como explicar que “uma poça” levou a maleta? Annie move os lábios querendo falar algo (mas, sem idéia do que dizer), quando Sydney vem ao encontro dos dois e revela:
-Irina Derevko.
-Hã? A sua mãe? - pergunta Annie confusa. - Acha que ela pegou a maleta?
Syd consente e vira pra Michael Vaughn:
-Eu a vi na usina quando socorria Weiss... O espião deve ter dado a maleta a ela antes de subir pro telhado...
Balançando a cabeça negando, Vaughn contesta:
-Impossível. EU VI! Quando ele correu pro telhado carregava a maleta na mão, tenho certeza.
Nisso, o espião dissolve as algemas com um ácido corrosivo e salta do topo da usina. Os agentes não conseguem chegar a tempo pra impedir sua queda fatal e ficam chocados... Michael e Syd viram pra Annie esperando que ela esclarecesse os fatos, mas ela fecha a boca. Era a única pessoa que conhecia a verdade, embora estivesse disposta a esconder...
~ Prédio da Cia – Langley, Virginia – Manhã seguinte

Annie Mack está sentada de frente para a mesa de Jack Bristow. Com o semblante suspeito e esforçando-se para continuar mantendo seu auto-controle estratégico e parecer inocente. O clima estava pesado, Jack lhe cobrava respostas há 30 minutos, respostas essas que Annie trancava a sete chaves.
-Agente Mack, pela última vez, ONDE ESTÁ A MALETA? - insiste Jack com um ar cansado.
Encarando Jack com firmeza, ela permanece calada.
-Esse silêncio não irá ajudá-la. Posso exigir que passe pelo detector de mentiras...
Annie conhecia as razões porque Jack ainda não havia feito isso, ele queria poupá-la em nome da amizade que tinha com sua filha Sydney Bristow. Mas, não poderia encobrir por muito tempo uma agente suspeita de estar “traindo” o seu país. Annie respira fundo por um segundo, dotada de uma personalidade forte como aço, seria capaz de suportar a pior das torturas, menos sujar sua ficha na Agência da CIA. Amava sua profissão mais do que a sua própria vida. Mas, o que fazer? Entregar Richard ??? E “se” não foi ele quem esteve na usina? Sentia-se confusa e sem saída. Haviam outros iguais a Richard; jamais perdoaria a si mesma por acusá-lo injustamente. Balançando a cabeça de um lado a outro, Annie afinal quebra o silêncio:
-Não posso falar.
-COMO??? - diz Jack a beira de um ataque de nervos.
-Talvez eu saiba onde está a maleta, mas... Preciso de tempo para resgatá-la.
-TEMPO? Está sendo interrogada, acha que está em posição de exigir algo?

Sem dar importância as palavras de Jack, Annie se levanta arrastando a cadeira de propósito e declara num tom seguro:
-Dentro de 24 horas a maleta estará na sua mesa em uma “bandeja de prata”. Não siga meus passos, não vigie meu apartamento, se sentir que estou sendo observada, nada feito. Terá que confiar na minha palavra, senhor... Jamais trairia essa Agência.
-Está sendo sendo investigada. Não tem autorização para deixar o prédio da CIA.
Annie vira dirigindo-se a porta:
-Então, autorize. Estou saindo.
Agora é Jack quem fica sem palavras. Com atitude, Annie gira a maçaneta e sai da sala. Conhecia Jack, ele não era mal, ao contrário do que muitos pensavam. Tinha a impressão de que ele a via como uma segunda filha e usaria toda sua influência a seu favor, pelo menos durante o prazo combinado. Andando em passos rápidos pelo sofisticado corredor, Annie focaliza seu pensamento no que era prioridade máxima agora: ENCONTRAR RICHARD.

CONTINUA EM BREVE...

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